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quinta-feira, 4 de março de 2010

Nossos mitos e Lendas: IARA


IARA
Uiara, Oiara, Eiara, Igpupiara, Hipupiara


Mito baseado no modelo das sereias dos contos homéricos, a Iara é a Vênus amazônica;
é uma ninfa loira de corpo deslumbrante e de beleza irresistível. Sua voz é melodiosa e seu
canto, tal como no original grego, é capaz de enfeitiçar a todos que o ouvem, arrastando-os
em sua direção, até o fundo do rio, lagos, igarapés, etc., onde vivem esses seres fabulosos. Na
Amazônia o tapuio que escuta o cantar da Iara fica "mundiado" e é atraído por ele; o mesmo
se dá com as crianças que desaparecem misteriosamente. Crêem os ribeirinhos que essas
crianças estão "encantadas" no reino da "gente do fundo". Lá o menino é instruído no preparo
de todos os tipos de puçangas e remédios. Ao fim de sete anos, durante os quais foi iniciado
nas artes mágicas, na manipulação de plantas e ervas, etc.; o jovem pode retornar para junto
dos seus, onde, geralmente, se torna um grande xamã, um medicine-man.
Se as sereias e seu consorte, o Tritão, existem realmente, ninguém sabe, mas um caso
acontecido com o senhor Cícero, velho pescador e antigo delegado da cidade de Soure, na
Ilha do Marajó, quase nos deixa com um testemunho da existência dessas criaturas. O caso
nos é contado pelo neto do protagonista, o pesquisador e estudioso de magia nativa, Antonio
Jorge (Brito da Silva) Thor6.
Corria o ano de 1925, e como sempre faziam, seu Cícero e seus amigos prepararam-se
para mais uma pescaria no seu pesqueiro favorito, de onde nunca saíam sem que estivessem
carregados dos mais diversos peixes. Este lugar era secreto, conhecido apenas por eles, mas
naquela noite enluarada, uma estranha calmaria, uma quietude desconhecida no mar,
prenunciava surpresas.
As horas passavam e, estranhamente, nenhum peixe beliscava as imóveis iscas e anzóis.
De repente o senhor Cícero sentiu um forte puxão na linha, indicativo evidente de que fisgara
um dos grandes; o que foi confirmado pelo esforço que fazia para puxar a presa, tanto que
teve de pedir ajuda aos companheiros. Deixemos que Thor continue:
"Em dado instante a parte que parecia estar bem iscada, cedeu!... Naquele
momento, oportunamente, o pensamento foi um só: - Perdemos o peixe! Entretanto,
ao chegar com o anzol a flor d'água [...]estava lá, bem enrolado no anzol
de bom tamanho, algo que os faria interrogativos para o resto de suas vidas: -
um monte de cabelos loiros, os quais mediam entre 1,5 metro a 2,5 metros."
O pavor que tomou conta dos surpresos pescadores foi tanto que fugiram do local
abandonando anzóis, linhas e, provavelmente, a única prova palpável, insofismável, de que as
sereias, as Iaras, existem.
Na nossa cultura o mito da deidade fluvial Iara, mesclou-se com seus congêneres
europeus (sereias) e africanos (Iemanjá) causando alguma confusão. Confusão esta provocada
pelo que Victor Jabouille chama de "espírito de evangelização", que todo colonizador se acha
possuído, a ponto de "destruir as velhas tradições e os velhos mitos pela imposição das realidades alheias.

6 THOR (ou THOT, como é chamado atualmente), Antonio Jorge. Introdução à teoria dos elementais. Edição
do autor. Não tem ficha catalográfica, mas nos garantiu ele que foi publicado no ano de 1985, em Belém.


Fonte: painel_de_lendas

A oiara

.


Em noite de lua cheia
A oiara vai banhar
Entrando mar adentro
Vai seus cabelos lavar

Vive na ilharga dos rios
Vai ao mar só passear
Distante de sua lenda
Quer somente descansar

Anda pela maresia
Embaixo de sol e luar
Descansando ela inventa
Jeito novo de encantar
fonte: Vaqueiro Marajoara

Origem da personagem

Contam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara. Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.

Fonte: suapesquisa.com.br

“O rio pejou de lamento
Foi desespero no mar
A lua se foi na noite
Deixou somente o luar”

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tupã Tenondé


Fonte: Tupã Tenondé
Ñe'e Porã Tenondé (Nossas Primeiras Palavras Formosas)


Nossa primeira canção
Criou-se por si mesma
Na vazia Noite Iniciada

As Sagradas Plantas dos Pés
O pequeno assento arredondado
do Vazio Inicial
enraizou Seu florescer

Círculo desdobrado da Sabedoria individual
fluiu-se Divino todo Ouvir
As Divinas palmas das mãos portando o bastão de poder
As Divinas palmas das mãos feito ramas floridas
Tramam o Imanifestado, na dobra de Sua evolução
No meio da Primeira Grande Noite

Da Divina coroa irradiavam
Flores plumas adornadas
em leque
Em meios ás flores plumas floresce
a coroa-pássaro
do pássaro-futuro,
luz veloz que paira
em flor e beijo
que voa, não voando

Nossa Primeira Canção criava
futuro colibri, no curso de sua evolução, seu Divino corpo
Existia no entando em meio aos primeiros Ventos futuros
Como coruja dentro da noite Primeira
olhava-se revoando
seu futuro firmamento, sua futura terra, brisas surgidas
enquanto colibrizava vidas
dos ventos produzidos, do Imanifestado
que fora um colibri

Nossa Primeira Canção
Antes de haver-se criado,
no curso de sua evolução
sua futura morada,
sustenta-se no vazio
Antes que existisse Sol
Ele existia pelo reflexo de seu próprio coração
e fazia-se servir de Sol dentro de sua própria Divindade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mitos, doçura e reflexões diante do espelho


Desde muito nova, eu sempre gostei de Mitologia. Me lembro que a primeira história que li foi a de Eco, a jovem ninfa que Hera condenou a apenas repetir o que ouvia, depois de distrair a Rainha com sua conversa animada para que Zeus desse suas puladinhas de cerca.
Foi a primeira vez que eu “saquei” a Mitologia. Que eu peguei a idéia do que singifica cada símbolo, a lição de cada história. E alguns poucos anos depois, comecei a vivenciar os mitos. Mais uns aninhos mais prá frente, conheci O cara: Joseph Cambell...primeiro com o Heróis das Mil Faces, O Poder do Mito, e outros livros devorados em série. Alguns emprestados, outros comprados, outros, pior...alugados!
Ontem mais uma vez, o mito foi vivenciado de uma forma ao mesmo tempo acalentadora e assustadora: o mito de Sedna, a Mulher-Esqueleto, que chegou sem aviso no ritual, e a Fêmea Selvagem, da qual até sinto há um bom tempo a proximidade mas nunca sei se chego perto ou se me afasto. A verdade é que sempre observei meus comportamentos e titudes e sempre notei que eles são muito próximos ao comportamento de um bicho-do-mato tentando se adaptar á urbe.
A visualização me trouxe uma imagem bacana, a Loba que me aguardava na caverna me dizia com o olhar ansioso “você não vem? O que deu em você? Vem, sai daí, você já tá boa, vai por mim!”. E eu lembro de sair de dentro da caverna de tão assustada, com a barriga raspando no chão. Me lembro de chegar num rio e ver meu rosto no rosto da Loba. E pensar comigo...”uau...essa aí...sou eu?”...queria ter contado mais sobre isso na aula, mas estava um pouco dispersa. E realmente de uns tempos pra cá, eu tenho me recolhido demais...sempre tem q ir pra casa. É como se eu estivesse machucada e não quisesse ficar vulnerável por aí. Como se eu não tivesse mais garras pra sair rosnando pra meio-mundo. Essa insegurança, a Loba me esperava na frente da caverna. Ela sabe que eu estou melhor. E ela me chama pra sair da caverna, mas ela vai na minha frente, protegendo. Querendo ou não, ainda não sou Loba-véia. Ela é. Ela sabe todos os caminhos , sabe orientar e proteger. Sabe até que ponto eu me defendo e até que ponto eu começo a rosnar sozinha. O fato é que eu tenho uma tendência fortíssima a ser solitária. Me acostumei com isso, e o problema é justamente ter virado questão de honra. Ou eu fico meses a fio escondida, ou saio rosnando...não que haja alguma ameaça bem ali, mas por garantia, é melhor sair garras e dentes. Esconder a doçura. Esconder a fragilidade. Sublimar tais características numa raiva doentia.
É.......já tem um tempo que eu tô dizendo que o mato tá me chamando....e tá UIVANDO dessa vez, nem tá chamando. Chega de ser a Lobinha boba, que rosna, rosna, fica atenta e aí, passa por enrascadas que por uma teta ela não acaba se arriscando. Não, tô na hora de sair. Voltar pro meu habitat. Certa de que, não importa onde eu for, tenho uma Loba-velha, uma selvagem sábia para me acompanhar. E me acostumar a ter companhia ;-)...
Levei um pequeno “insulto” ontem na aula. Uma me disse que eu sou doce, a outra me disse que eu sou bonita, a outra diz que eu sou fofa, meiga, etc e etc.....além de me matar de vergonha (não sei lidar com isso gente, sorry se pareceu alguma coisa ruim), eu sempre me sinto meio “desafiada” quando me elogiam. Um pouquinho de timidez, talvez, quem sabe? E hoje me peguei o dia todo martelando: mas que raios...eu me lembro de ser doce...em algum momento na vida...quando foi que parei? É impressionante, depois de tanto tempo que vivi na defensiva por diversas situações em que obscureci a doçura e o carinho para me tornar uma voraz devoradora, uma predadora feroz, hoje em dia, já nem entendo mais tão bem o significado de doçura. O mais engraçado é que depois de perguntar e conversar com muitas pessoas, todos vêem e conhecem um aspecto meu doce, frágil, e até meigo! Só eu que não achei isso em mim mesma ainda!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Anam Cara - 2a parte


"Somos tão privilegiados por ainda dispor de tempo. Temos apenas uma vida, e é uma lástima limitá-la por medo ou pr falsas barreiras.
É belo imaginas que a verdadeira Divindade é a presença em toda beleza, unidade, criatividade, escuridão e negatividade estão harmonizadas.
Ás vezes a grande escassez de bênçãos em nós e á nossa volta origina-se do fato de não estarmos levando a vida que apreciamos, de estarmos, antes, levando a vida que se espera de nós. Perdemos o ritmo coma secreta assinatura e luz de nossa Natureza."

Ontem mesmo, eu conversava com a Andréa e, em mais um de vários retrospectos e devaneios, compreendi que, por mais que nós pensamos que somos fortes e únicos, muitas vezes a necessidade de ser aceito, de fazer parte de um grupo, torna-se uma voz hipnótica, que fecha os ouvidos para a voz da alma. É neste momento que acabamos perdendo a identidade, e sob o efeito da urgência de ser aceito nos dissolvemos em um determinado grupo. Quando isso acontece, o risco é chegar em um ponto onde o indivíduo já não sabe mais onde é o seu fim e o início do outro, ////////o efeito devastador é que, ao abdicarmos de nós mesmos, a possibilidade de fazer parte do grupo vira um jogo de roleta-russa, onde as possibilidades de fazer parte de um grupo deiguais é de 1 em 100. Na maioria das vezes, a mulher se anula, e, não correspondendo ao meio que ela se impôs, acaba solitária, por não faezr parte daquele meio, e abandonada de si mesma.Episódios de abandono de si mesmo deixam armadilhas por toda parte.É como se fosse uma série de ritos de passagem durante a vida para a pessoa encontrar-se com si mesma. Sempre há expectativas e exigências de fora que acabam em nossas mãos. A mãe tem suas expectativas, os colegas de trabalho, companheiros e amigos,
Tentar desesperadamente viver os papéis que cada um espera de você é um desgaste enorme de energia. Quando tentei viver de acordo com o meio social que cismava que eu PRECISAVA conquistar, tudo na minha vida em particular dava errado. Tudo era difícil, sofrido, tudo podia desmoronar a qualquer instante se eu não agisse, e rápido. A forma que eu encontrei de “libertação” começou por distinguir o que havia realmente de problemas, quais deles existiam e quais deles eram apenas imaginários. Antes de me envolver em situações difíceis entre familiares,a migos, conhecidos, o mais prático e efetivo é pensar: “O que nisso tudo é realmente meu?”. É assustadora a quantidade de vezes em que a resposta para esta pergunta é “Nada”.
Ao viver em função do meio social em detrimento de si próprio, a vida acaba sendo anulada. Mas ela continua acontecendo. Ao se abandonar em função de outros grupos, a própria vida fica ás moscas. A mente se ocupa em resolver o mundo de fora, e o de dentro fica abandonado.
Viver feliz não é uma meta. O mais importante é que, antes de qualquer outra pessoa, a sua própria vida há de ser vivida PLENAMENTE. Encontrar o equilíbrio entre a euforia, e a apatia, permitir-se sofrer, identificar seu sofrimento e sua alegria, e aprender mais de si mesmo com eles, é viver plenamente. Se permitir viver é viver plenamente.
Conheci uma pessoa que sempre que eu tinha problemas me dizia: “Você ainda é nova, dá pra resolver”. E começava a contar seus dramas pessoais e dificuldades profissionais. O problema ´foi ter chegado a uma idade avançada e ao olhar para trás, descobrir o quanto sua vida mal foi vivida. Ele não estava no centro de sua vida. O centro de sua vida era a carreira, era a ambição. E ele girava em torno disso. O ideal é ser o centro da sua vida. O resto que gire á sua volta, você trabalha sua vida e seu destino. A vida tem um prazo de validade, e cada momento deve ser apreciado, pois até mesmo a luz e a escuridão, todos tem a sua beleza divina. A natureza das criaturas de Deus (seja lá como você chame!) é admitir que não são apenas parte da Criação, mas também somos os Criadores...abdicar da própria Natureza, é abdicar-se de si mesmo. Ao abdicar de si mesmo, a energia criativa se esvai e se esconde cada vez mais profundo, ficando cada vez mais difícil de encontrar quando é necessário.
Então, reavalie: o que é a sua vida, o que não é? Você está vivendo os momentos do dia a dia em sua intensidade? Você enxerga a beleza da vida, emprega suas energias e forças criativas no que quer, ou a entrega nas mãos de outrem?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MATOCHIKALA

Eu sempre gostei muito de um aspecto da história humana, que é o nosso aprendizado com os animais, aspecto que aparece sempre no Xamanismo, com os animais de poder, os Totens...apesar de ter muita proximidade com o Lobo, eu tenho pesquisado muito sobre os Ursos, e me deparei com essa história no site sobre cultura Lakota. É uma história bem bacana, sobre o aprendizado humano em companhia dos Ursos. Eu mesma traduzi, qualquer erro, me avisem, ok?...


Mato era um urso pequenino quando veio ao mundo. Ele nasceu na profundeza de uma caverna e não era grande o suficiente para causar mal a qualquer ser vivo. Sua mãe o chamava de Matochikala, na linguagem humana.
Quando sua mãe acordou de seu longo sono, ela levou o Pequeno Urso para fora da caverna, para os brilhantes raios do Sol da Primavera. “O que são estas criaturas que voam sobre minha cabeça?” o Pequeno Urno perguntou. “Wanbli, a Águia”, sua mãe respondeu com um grunhido. “É com a Águia que aprendemos a viver com dignidade. Os olhos da Águia são mais apurados que o nosso, então, nós sempre ouvimos os avisos que ela manda lá de cima”
A Mãe do Pequeno Urso o levou para atravessar a mata até a beira de um rio onde ela o ensinaria a beber água. Ele pos o nariz na fria e límpida água e provou um pouco dela. O choque da água corrente fez com que ele ficasse assustado instantaneamente. Muitos anos depois, quando ele estava crescido e havia recebido seu nome de Guerreiro, Malo, ele se lembraria desta primeira “degustação”. Sempre que ele precisasse de clareza mental ou alerta para caçar, ele se lembraria primeiro da sensação que teve nesta primeira vez que bebeu da água do rio, para se preparar para a tarefa.
Mato se lembrava de seus primeiros dias com reverência, pois sua mãe havia sido uma ótima professora. Ela sempre o protegeu e o orientou para que ele vivesse a plenitude da vida. Ela o ensinou como caçar as larvas dentro dos troncos apodrecidos das árvores tombadas. Ela o ensinou quais flores e matinhos eram mais doces, que raízes o fortaleceriam e quais frutos o alimentariam durante suas longas horas de hibernação no Inverno.
E ela o ensinou como pescar o peixe vermelho (salmão) quando este saltasse da água contra a correnteza. A Mãe de Mato o indicou um lugar especial entre duas pedras íngremes, onde ele podia fazer tocaia. “Espere quietinho e pacientemente neste lugar”, ela disse, “e quando o grande Vermelho aparecer, e saltar da água, ele pulará diretamente pra dentro da sua boca.”
E então foi assim que as pessoas aprenderam a pescar, observando Mato e sua Mãe. Daquela vez em diante, enquanto Mato e seus irmãos pudessem ser vistos na beira do rio, as pessoas não passaram fome.